segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Lembrança (Remembrance, de Emily Brontë)

Frio na Terra — e o profundo brancor em ti empilhado, 
Tão, tão distante, frio na sombria sepultura! 
Esqueci, meu único Amor, de ter te amado, 
Cortado por ondas e o Tempo em bravura? 
 
Agora, quando sozinha, meus pensamentos não pairam mais 
Além das montanhas, naquela margem norte, 
Descansando suas asas onde se cobrem de samambaias e urzais 
Teu coração eternamente nobre? 
 
Frio na Terra — e quinze Dezembros selvagens, 
De colinas marrons, que derreteram na primavera: 
Fiel, de fato, é o espírito da lembrança, viagens, 
Depois de tanto mudar e sofrer, obtivera! 
 
Doce e jovem amor, perdoa-me, se eu te esqueço, 
Enquanto a maré do mundo ao fundo me leva; 
Outros desejos e esperanças que desconheço, 
Cercam e obscurecem, mas não te consomem em treva! 
 
Nenhuma luz posterior iluminou meu paraíso, 
Nenhuma segunda manhã nasceu para mim; 
Toda a minha felicidade... Em ti, minha vida, deslizo, 
Toda a minha felicidade contigo encontrou o fim. 
 
Mas, quando pereceram os dias de sonhos dourados, 
E até o Desespero foi impotente para destruir, 
Aprendi então como o existir pode ser sim apreciado, 
Alimentado, mesmo se a alegria um dia partir. 
 
Assim, vi minhas lágrimas de uma inútil paixão — 
Desprendeu meu jovem ser de tanto ansiar tua alma; 
Negou, ardente, seu desejo de vivaz coração 
Descendo ao meu túmulo, tão meu, meu trauma. 
 
E, ainda assim, não ouso deixá-lo quebrantar, 
Não ouso ceder à dor de uma memória gradiente; 
De angústia divina, bebo fundo em meu altar, 
Como poderia eu buscar um mundo vazio novamente?

- Tradução do inglês por Dimitri Vital, 2022.

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