Do eterno Azul a serena ironia
Avassaladora, bela indolente como as flores,
Amaldiçoa seu gênio, impotente poesia
Através de um deserto estéril de Dores.
Fugindo, olhos fechados, eu o sinto observar
Com a intensidade de um remorso aterrador,
Para onde fugir? Noite abatida com minha alma a esvaziar
Jogar, despedaçar, desprezar em profunda dor?
Nevoeiros, levantar! Vertei vossas cinzas monótonas
Com fios de névoa longos e celestiais
Afogará lívidos outonos emergindo à tona,
Construí, silenciosas, as égides finais!
E tu, saia das lagoas letãs e entesoure
Vindo a ti a lama e os juncos pálidos,
Caro Ennui, mão incansável frente ao massacre
As insignes cerúleas tocaias de pássaros cálidos.
Novamente! Sem trégua as chaminés deprimidas
Vapor, e que fuligem uma prisão errante
Extingue-se no horror de listras enegrecidas
O sol sucumbindo amarelado no horizonte!
— O céu está morto. — Ó matéria, eu vôo para ti!
Esquecendo do Ideal cruel e do Pecado
Compartilhando a prole, jaz ao mártir
Felizes homens, enquanto adormece o gado,
Porque desejo, meu cérebro enfim, esvaziou-se
Como frasco de maquiagem ao pé do muro,
Já não se tem arte de abanar a ideia a soluçar-se,
Bocejo lúgubre direcionando o perecer obscuro...
Em vão! O Azul triunfa e ouvi sua canção
Em minha alma vociferando nos sinos de Paris
Perversa vitória, assuste, setentrião,
E o metal vivo sai em anjos azuis!
Se entrelaça pela névoa, antigo e atravessa
Tua agonia, espada segura nativa do Sul;
Para onde fugir na revolta inútil e perversa?
Estou consumado. O Azul! O Azul! O Azul! O Azul!
- Tradução do francês por Dimitri Vital, 2022.
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