Às terras sem nomes e sem números
baixava o vento desde outros domínios,
trazia a chuva fios celestes,
e o deus dos altares impregnados
devolvia as flores e as vidas.
Na fertilidade crescia o tempo.
O jacarandá elevava espuma
feita de resplendores transmarinos,
a araucária de lanças eriçadas
era a magnitude contra a neve,
a primordial árvore de mogno
desde sua copa destilava sangue,
a árvore trovão, a árvore vermelha,
a árvore do espinho, a árvore mãe,
o ceibo escarlate, a árvore da borracha,
eram volume terrenal, sons,
eram existências territoriais.
preenchia, pelos interstícios
convertidas em fumo e fragrância:
o tabaco silvestre alçava
seu rosal de ar imaginário.
Como uma lança terminada em fogo
apareceu o milho, e sua estatura
debulhou-se e nasceu novamente,
disseminou sua farinha, teve
mortos abaixo de suas raízes,
e logo, em seu berço, viu
crescer os deuses vegetais.
Ruga e extensão, disseminava
sobre as plumas da cordilheira,
espessa luz de gérmen e mamilos,
pelos unguentos terrenais
da implacável latitude chuvosa,
das cerradas noites mananciais,
sob um tênue povoado de estrelas,
rei da relva, o umbuzeiro detinha
o ar livre, o vôo rumoroso
e montava o pampa, sujeitando-o
com seu ramal de rédeas e raízes.
sarça selvagem entre os mares,
de polo a polo balançavas,
tesouro verde, tua espessura.
em cidades de cáscaras sagradas,
extensas folhas que cobriam
a pedra germinal, os nascimentos.
savana seminal, bodega espessa,
um ramo nasceu como uma ilha,
uma folha foi forma de espada,
uma flor foi relâmpago e medusa,
um cacho redondeou seu resumo,
uma raiz sucumbiu às trevas.
- Tradução do espanhol por Dimitri Vital, 2022.