domingo, 7 de agosto de 2022

Correspondências (Correspondances, de Charles Baudelaire)

A Natureza é um templo onde vivos pilares 
Por vezes, soltam palavras confusas; 
Ele passa por simbólicas relvas profusas 
Que o observam com olhos familiares. 
 
Como longos ecos que de longe se confundem 
Em uma tenebrosa e profunda unidade, 
Vasta como a noite e como a claridade, 
Os perfumes, as cores e os sons se respondem. 
 
Há perfumes frescos como a carne dos infantes, 
Suaves como oboés, verdes como prados, 
— E outros, corruptos, ricos e triunfantes, 
 
Tendo os causos infinitos, despovoados, 
Como âmbar, almíscar, benjoim e incenso, 
Que entoam o transportar de espírito e de senso. 

- Tradução do francês por Dimitri Vital, 2022.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Excerto inicial de 'Burnt Norton' (Burnt Norton, de T. S. Eliot)

Tempo presente e tempo passado   Ambos estão, talvez, presentes no tempo futuro   E o tempo futuro contido no tempo passado   Se o todo-eter...